domingo, 28 de julho de 2019

Crônicas de uma pauliceia solitária

Existe solidão na metrópole paulistana. Apesar dos seus mais de 22 milhões de seres humanos entrecruzando-se, principalmente, por ruas e avenidas envoltos em carcaças metálicas motorizadas, numa cidade em que nunca dorme, há sim solidão, muita solidão, formando um mar de solidão, inclusive isso forma parte do título de um dos livros do escritor paulistano Vitor Miranda publicado pela editora Giostri.

No livro Num mar de solidão temos vários relatos de um integrante dessa solidão. A narrativa é dura, seca e bate direto no estômago. Sem meias palavras ou eufemismos, o narrador-personagem, ele mesmo um ser solitário, por meio de crônicas de pequena extensão leva o leitor a percorrer a sua história de vida tendo como pano de fundo a metrópole paulista. 


Numa enorme cidade em que o encontro entre pessoas nas vias materiais e imateriais, como as redes sociais, é muito frequente, a grande parte dessas pessoas são solitárias. Aqui o leitor poderá achar até controverso essa situação, mas a ideia de solidão trazida pelo livro está bem longe da definição clássica de que solidão é "estar sozinho".

É interessantíssimo a forma nua e crua como o autor escreve, bem como as suas experiências que são muitas para um jovem de apenas vinte e poucos anos. Numa das orelhas do livro, há um pequeno texto informando que o autor desistiu do curso universitário de comércio exterior para fazer teatro e pelo jeito também escrever, pois há outros livros dele por aí. Sorte a nossa que ganhamos um escritor de escrita ágil, ácida e que consegue nos fazer refletir em relação a aspectos que observamos cotidianamente, mas que não fazemos, pois numa cidade que nunca dorme e o tempo é dinheiro, as reflexões advindas da observação e da experiência não são prioridade.

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domingo, 21 de julho de 2019

Somos todos vendedores

Você certamente já o assistiu na televisão ou ouviu a sua voz em alguma propaganda. O nome, ah o nome é bem conhecido, pois ele repete - propositadamente de acordo com uma técnica que ele defende - várias vezes em poucos segundos. Trata-se de Ciro Bottini, considerado o maior vendedor do Brasil e que relata a sua experiência como vendedor no livro Venda, Venda, Venda, publicado pela Thomas Nelson Brasil.


O livro é uma autobiografia, mas não pense que a narrativa fica presa somente a história pessoal e profissional do autor. Mesmo que ficasse, já seria um livro bem interessante pela carreira que ele conseguiu construir ao longo do tempo permeada por experiências incríveis e é justamente por essas experiências que o autor mostra como qualquer pessoa pode criar uma marca pessoal e alcançar o sucesso.

Ao longo de sete capítulos, Bottini insere dentro da narrativa da sua trajetória pessoal e profissional, ensinamentos para que o leitor possa crescer profissionalmente em qualquer ramo de atuação, sempre sob a perspectiva de que viver é, antes de tudo, um ato de venda, portanto, o livro não é direcionado somente para aqueles que são vendedores por ofício, mas sim para qualquer pessoa. Para o autor, somos vendedores 100% do tempo. Precisamos nos vender para conseguir um relacionamento, um aumento salarial, um projeto, uma ideia...

Ler a trajetória de vida de um vencedor como o Bottini, leva-nos, sem dúvida, a aprender quais os caminhos a seguir e quais os predicados necessários para construirmos igualmente uma vida bem-sucedida e isso está de forma muito clara e didática em Venda, Venda, Venda.

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sábado, 20 de julho de 2019

Casagrande revelado

Se embrenhar nas páginas de Casagrande e Seus Demônios, escrito pelo jornalista Gilvan Ribeiro e publicado pela Globo Livros, é conhecer a trajetória de Walter Casagrande Júnior, jogador que fez história pelo Corinthians.

Casagrande teve o seu problema com o uso de drogas exposto pela mídia poucos anos atrás. O caso veio se tornou público recentemente pela veiculação promovida pela imprensa, mas o uso que o jogador fazia da cocaína era bem mais antigo. 

Vários detalhes sobre a iniciação de Casagrande no mundo das drogas até ele se tornar um viciado, bem como a sua trajetória pessoal e profissional, são contados no livro com uma boa riqueza de detalhes.

Destaco no livro o capítulo sobre a overdose que o ex-jogador teve dentro da sua casa e sobre a atuação dele contra a ditadura militar brasileira, ocasião em que esteve à frente, junto com o ex-jogador Sócrates, na condução da "Democracia Corintiana", uma provocação contra aquele regime de exceção. 

A biografia de Casagrande foi narrada por ele mesmo para o jornalista Gilvan Ribeiro, que manteve a forma como o ex-jogador se expressa, inclusive, com o uso de vários palavrões, mas esse detalhe em nada atrapalha ou rebaixa a qualidade do livro, pelo contrário, imprime fluidez a linguagem e na maior parte do tempo parece que o leitor está conversando com o próprio Casagrande pessoalmente.

Em tempos de censura às biografias, em que os biografados parecem temer que contem aspectos obscuros das suas vidas pelos biógrafos, Casagrande parece não ter se intimidado em contar várias passagens da sua vida, algumas felizes e as outras muito tristes. 

A grande mensagem que o livro deixa é o quanto que o uso de entorpecentes destrói a vida de um ser humano. O prazer momentâneo trazido pela droga também deixa para a vida de quem a usa, a dor, a perda da dignidade, a dilaceração dos relacionamentos entre outros, quando não a morte.

Ainda bem que Casagrande despertou a tempo e não optou em seguir um caminho de destruição e de dor. Reconheceu que estava doente e pediu ajuda. O mais bacana foi que a TV Globo não o demitiu guardando o seu cargo para que o ocupasse quando estivesse melhor. Isso fez muita diferença na vida do ex-jogador, que revelou que encontrou no trabalho na TV Globo, uma forma de se sentir útil e de ser valorizado, afastando o desejo de voltar a utilizar droga.

Apesar da aparente normalidade, o ex-jogador vive hoje numa situação em que precisa controlar a ansiedade e lidar com as frustrações e o nervosismo comuns a vida de todo o mortal. Para quem foi um ex-usuário, qualquer motivo pode ser a desculpa para voltar a usar drogas, mas Casagrande tem essa consciência e continua se submetendo a um tratamento com duas psicólogas, além de trabalhar muito, sorte nossa que podemos acompanhar os seus bons comentários pela TV.

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terça-feira, 2 de julho de 2019

Além de uma simples história infantojuvenil

A paulista Maria José Dupré é sempre lembrada pelo seu romance adulto Éramos Seis, publicado em 1943 e que recebeu inúmeras adaptações para o cinema e para a televisão. A mais conhecida foi a novela homônima produzida e exibida no SBT entre maio e dezembro de 1994 e que particularmente eu considero a melhor novela produzida até então pela emissora de Sílvio Santos.

Mas a escritora também tem uma grande quantidade de livros publicados para o público infantojuvenil, destacando a série de livros cujo protagonista é um cachorrinho que rodou alguns locais brasileiros chegando, pasmem!, até a Rússia. Trata-se do cachorro Samba, personagem principal de seis livros, publicados entre as décadas de 1950 e 1970.

O auge da carreira da escritora ocorreu na década de 1940, época em que ela escreveu a maioria dos seus livros adultos e infantojuvenis. Foi nessa década que foi publicado o livro A Ilha Perdida que integra o bem sucedido projeto da série Vaga-Lume, organizado pela Editora Ática.


Entre os escritores é quase unânime a ideia de quão difícil é escrever para o público jovem. Muitos têm na mente que as suas histórias obrigatoriamente deverão deixar alguma mensagem de ordem moral para os jovens, por exemplo, mas eu acredito que a literatura infantojuvenil, na sua essência, não tem essa pretensão, apesar de observar que isso ainda paira na cabeça de muitos escritores.

Deve-se transmitir uma mensagem ou não para o jovem, compreendo que é um desafio atingir esse público. Por isso, que de vez em quando, seleciono para a minha leitura, livros infantojuvenis na tentativa de analisar aspectos técnicos da história, como, por exemplo, como que o autor costurou a história, desenvolveu a trama, construiu os diálogos, os personagens, o contexto, as paisagens entre outros. Daí a minha leitura da obra "A ilha perdida".

O livro é uma aventura ambientada no interior de São Paulo, aonde duas crianças foram passar as férias e se encantaram por uma ilha misteriosa no meio de um caudaloso rio. Decidem, então, explorar a ilha por conta própria iniciando uma aventura emocionante, cheia de suspense, perigos e tensão, aspectos que permearão toda a história. 

Da metade da obra até o final, o leitor fica tenso e ansioso sobre o que acontecerá com as duas crianças. Sozinhas numa grande ilha deserta passam por situações bem complicadas. Essas situações são exploradas muito bem pela autora como forma de deixar várias mensagens de cunho moral para o leitor, como obediência aos mais velhos, respeito aos animais e vegetais e a preservação da natureza, temas que depois de 69 anos da publicação do livro ainda são discutidas em nossa sociedade. 


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