domingo, 27 de junho de 2021

Um romance policial divertido

Acostumado a publicar livros paradidáticos e ficcionais infanto-juvenis, dessa vez o escritor Antonio Carlos Olivieri publicou pela Editora Record uma obra ficcional voltada para o público adulto. Trata-se do livro "Farsantes & Fantasmas", lançado em abril de 2012.

A obra é um romance policial escrito de forma divertida que conta os bastidores da produção editorial de um livro. Como todo livro do gênero policial, temos um crime, a figura de um detetive e um suspeito. Mas a tônica do livro não é essa, sendo que esse entrelaçamento entre o crime, o suspeito e o detetive, somente ocorre nos capítulos finais da trama.


O pano de fundo da história é a vida de Moreira, mais especificamente o seu trabalho como ghost writer (escritor fantasma). Ele é um jornalista que trabalha para um inescrupuloso dono de uma editora, o Zé Augusto Pavão Lobo, e é a partir dessa relação que ocorre o desenrolar da história aonde outros personagens vão surgindo, tais como a sensual Lucila Napolitano, em que Moreira é contratado para "transformar" a sua tese de doutorado num livro; o delegado Lopes Cliff, um sujeito esquisito na aparência, mas infalível na resolução de crimes e o inescrupuloso e cafajeste analista psiquiátrico, Dr. Paul Mahda.


Pavão Lobo sempre contrata o Moreira para que ele escreva livros para sujeitos que possuem desejo de lançar uma obra, mas não tem competência para escrever sequer uma linha. Aproveitando-se disso, Pavão Lobo explora as suas vítimas, desejosas para serem reconhecidas como escritoras e, quem sabe, até ficarem famosas com uma vendagem espetacular dos seus livros. É nesse tipo de negócio que a Editora Pavão Lobo trabalha e tem o Moreira como funcionário número um.


Num desses trabalhos, Moreira conhece Lucila, por quem se apaixona loucamente e também o safado Dr. Paul Mahda, um psiquiatra considerado "das estrelas", por somente atender atrizes, top models, políticos entre outras celebridades. O Dr. Paul Mahda resolve escrever um livro, mas culpa a falta de tempo, que na verdade, conforme as conversas que Moreira tem com o psiquiatra para a produção do livro, percebe que é mais falta de competência dele do que a falta de tempo. A partir desse trabalho é que a vida de Moreira se torna um inferno, envolto numa complexa trama, surpreendente e sórdida, cujo desfecho seria inevitavelmente pontuado com violência e sangue (p. 16).


O livro é bastante atual nessa questão do mercado editorial em que muitos querem ser escritores, mas poucos têm condição de escrever sequer um parágrafo e daí recorrem ao artifício de escritores fantasmas contratado por editoras que somente querem ficar com o dinheiro das vítimas, não primando pela qualidade do livro.


Saliento também a escrita feita de forma satírica, cômica pelo autor, que deixa a história muito mais gostosa de ser lida e, além disso, ressalto o lugar escolhido para o desenrolar dos fatos, que é a cidade de São Paulo. Esse aspecto aproxima ainda mais o leitor, principalmente aquele que mora em São Paulo ou conhece a cidade. Isso leva o leitor a reconhecer os lugares e, inevitavelmente, a ser inserido dentro da história. Ele passa a sentir, a enxergar a sua presença dentro da trama. Bacana!


Acredito que a forma satírica que o escritor conduziu a história, no fundo, acaba tirando um sarro de uma situação muito preocupante nos dias de hoje, que é falta de ética das pessoas. Creio que o leitor mais atento, rirá com vários trechos da história e também refletirá sobre o universo que o escritor critica no livro.


A leitura é bastante tranquila e rápida e a trama é entendida sem segredos. Isso se deve ao fato da experiência do escritor na formação de leitores, na escrita e na publicação de livros voltados para o público infanto-juvenil. Característica, essa, que implicou também no não aprofundamento dos personagens, tal qual se costuma ocorrer em romances direcionados ao público adulto, mas isso não tira a qualidade, de modo algum, da deliciosa história presente em "Farsantes & Fantasmas".


sábado, 15 de maio de 2021

Um desconhecido personagem

Sobre a Ditadura civil-militar brasileira já foi publicado muitos livros, mas sabemos que há muito ainda para ser descoberto desse período de atraso nacional. À medida que as academias vão formando novos pesquisadores que se debruçam a entender melhor esse período aliado ao avanço da tecnologia principalmente com a digitalização de documentos e a disponibilização virtual de acervos inteiros, vamos descobrindo personagens, situações e fatos que não foram contemplados em outras publicações.

Isso vale para o livro "Um espião silenciado" de Raphael Alberti, jovem pesquisador graduado em História pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) com mestrado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). O livro foi publicado pela Companhia Editora de Pernambuco (CePE).

O livro de Alberti, fruto de mais de uma década de pesquisas, traz luz a história de José Nogueira, jornalista e espião da Marinha do Brasil que atuou na pré-ditadura civil-militar e que foi morto sob circunstâncias suspeitas. Mas quem era José Nogueira? Qual a missão dele como espião? Por onde transitava? O que viu e ouviu? Quais as circunstâncias da sua morte? Quem são os suspeitos? Essas e demais perguntas Alberti traz em seu livro ou tenta trazer, haja vista que grande parte da documentação sobre o personagem jaz em arquivos empoeirados e trancafiados por aí em instituições que sob os mais diversos argumentos, não disponibilizam o pleno acesso a eles, embora exista no Brasil uma capenga Lei de Acesso à Informação que na teoria visa garantir a qualquer interessado o acesso à documentos, principalmente históricos. Sobre isso, inclusive, Rafael relata no livro a necessidade de recorrer à Justiça para que valesse a lei e tivesse acesso aos documentos para a sua pesquisa. Se não bastasse essa burocracia, ainda teve que lidar com episódios de assédio e intimidação por parte de agentes públicos que guardavam documentos para a pesquisa do historiador.

O livro traz também detalhes sobre a atuação de dois órgãos que atuaram na conspiração contra o governo do presidente João Goulart e na contribuição deles para a efetivação do golpe militar: O IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) e o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e as ligações desses órgãos com o personagem.

A obra preenche uma das inúmeras lacunas sobre esse período da história brasileira. Rafael conseguiu transformar com sucesso a sua dissertação de mestrado, geralmente um texto mais acadêmico e "pesado", num texto "palatável" de divulgação científica, vamos dizer assim, voltada para um público fora dos muros acadêmicos, mas isso não tornou o texto ruim ou com falhas, pelo contrário, o resultado é uma obra bem escrita e com rigor científico, muito diferente a alguns livros de fatos históricos escritos por jornalistas metidos a historiadores.

"Um espião silenciado" pode ser adquirido em formato físico diretamente no site da CePe, em nossa loja física e na Estante Virtual. O livro também está disponibilizado em formato e-book na Amazon.

domingo, 4 de abril de 2021

Uma gostosa novela policial

O escritor paulistano Marcos Rey - embora quisesse ser reconhecido pelos livros adultos - ficou conhecido por escrever novelas recheadas de mistério, enigmas e crimes para serem solucionados por jovens leitores.

Fez muito sucesso com o público infantojuvenil ao escrever muitos livros para a célebre "Coleção Vaga-lume" publicada pela Ática nos anos 1980 e 1990. Começou em 1983 com o livro "O mistério dos 5 estrelas" e não parou mais, sempre optando pelo gênero literário novela, cuja definição é um conto extenso ou um texto intermediário que fica entre o conto e o romance. 

Com o "Corrida infernal" não foi diferente. Trata-se de uma novela policial que como os livro de Marcos Rey se passa na cidade de São Paulo e envolve um trio de bandidos, dois jovens e uma idosa.

Ao receber uma boneca de presente de uma moça misteriosa num vagão de metrô de São Paulo, Elaine que morava num apartamento ao lado do Minhocão, um viaduto que corta parte do centro da cidade de São Paulo, passa a ser perseguida pela mulher que dera o presente mais dois bandidões, Bóris e Duque, da mais alta periculosidade. Será que o trio de criminosos estava apenas atrás da boneca? 

Uma verdadeira gincana de vida ou morte se inicia pelas ruas da capital paulista numa "Corrida infernal" em busca da boneca.

O livro tem apenas 117 páginas e a gente faz a leitura de forma rápida pela qualidade da narrativa. Rey é, sem dúvida, um dos grandes escritores brasileiros. Dono de uma escrita ágil, objetiva, com cenas muito bem construídas e diálogos e personagens realistas, o livro leve o leitor a não parar de ler para descobrir o que irá acontecer com os personagens. Tais características fizeram dos seus livros um sucesso de vendas e atraiu para a literatura muitos jovens que não viam a gostosura de ficar horas mergulhados numa história.

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