O livro de terror O Açougue Maldito (224 páginas, Editora Lexia) é o livro de estreia do escritor Luis Augusto Pereira e foi escrito baseado nos crimes que ocorreram na Rua do Arvoredo, em Porto Alegre, no final do século XIX.
A história presente no livro não se passa no Brasil do final do século XIX. O autor, de forma genial, trouxe-a para a Ditadura Militar, período que por si só foi um período de terror. Utilizando-a como pano de fundo, Pereira conseguiu explorar o seu potencial para imprimir na sua narrativa esse momento de tensão, suspense e medo na história brasileira, complementado com muitas outras cenas que deixam qualquer leitor apreensivo.
A história narra a chegada de Rose Ramos a uma cidadezinha onde crescera com os seus pais, mortos sem explicação e cujos corpos nunca foram encontrados. Dos pais, sobrou apenas um casarão abandonado onde Rose Ramos passa a viver com o seu filho pequeno, mas a casa guarda para a dupla muitos momentos de angústia e medo. Se não bastasse, há ainda a figura de um açougueiro misterioso que tira a paz da protagonista.
O autor conseguiu dosar bem os momentos de terror psicológico e de um terror mais carregado de sangue. Outro ponto que eu considero relevante é o autor ter optado por uma protagonista feminina. De modo geral, escritores masculinos sempre optam por protagonistas do mesmo sexo. O sexo oposto é um desafio para a escrita deles, já que sentimentos, hábitos, pensamentos entre outras características das mulheres se configuram num terreno desconhecido, mas o autor parece conhecer esse universo, tão bem retratado na pele da personagem principal Rose Ramos.
Destaco também a força do argumento da história tão bem explorada pelo escritor ao longo das páginas. Pereira construiu basicamente uma história linear, cujos fatos vão se sucedendo um atrás do outro, com pouquíssimos flashbacks da protagonista, mas que quando existem, ajudam a delinear as características conflitantes da personalidade da personagem.
A história se desenrola de modo ágil a cada capítulo, deixando o leitor apreensivo em saber o que ocorrerá no próximo levando-o a não largar o livro por hipótese alguma até o desfecho surpreendente.
O principal ponto negativo do livro ficou por conta da má revisão que impediu uma leitura com maior fluidez. Há muitos erros de ortografia, acentuação e, principalmente do emprego de vírgulas.
Outro ponto importante é a necessidade de uma revisão mais apurada sobre a estrutura do texto, pois há muita repetição de expressões e palavras desnecessárias. Senti também a falta de mais diálogos entre os personagens. Quando isso ocorre, são sempre muito rápidos e superficiais. O autor poderia ter explorado o fato das pessoas viverem numa cidadezinha do interior para imprimir na fala dos personagens caracteres regionais. Ficaria bem interessante um contraste entre a fala da personagem principal, que morava na cidade, com as pessoas do interior.
Acredito que uma boa revisão para uma próxima tiragem deixará o livro muito melhor do que já é, aumentando o poder de provocar em quem lê, o medo e a angústia, companheiros dos leitores que se aventuram a ler "O Açougue Maldito".
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